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O Grito da terra, O Grito dos pobres
No mês de dezembro deste ano em Copenhague (Dinamarca) os líderes da maioria dos paises estão reunidos para tentar um acordo que reduza progressivamente a destruição do planeta e da vida humana nele. Não está fácil. As anomalias climáticas são evidentes: nas últimas semanas, por dizer algo, temos visto furacões, enchentes, tornados, terremotos destruindo regiões enormes nas Filipinas, na Indonésia, em várias ilhas do Pacífico. Cá entre nós acontece o mesmo: o Sul arrasado por ventanias, o norte alagado. Algo vai mal e quem paga mais caro são, como sempre, os mais pobres. Grita a terra por socorro, gritam os pobres por justiça. . Tudo isto não acontece por acaso. Há uma explicação clara O clima está mais quente pelo excesso de gases decorrentes de atividades humanas. É o chamado “efeito estufa”: a retenção das radiações solares na atmosfera que, não podendo voltar para o espaço, como ocorre normalmente, aquecem a temperatura. Destes gases (GEE) emitidos pelo homem, o mais importante é o CO2 (77% das emissões totais), porém existem outros com maior poder de efeito estufa como o metano (gado e lixo), o N2O (desmatamento) e os CFCs (geladeiras antigas).. Os GEE vêm crescendo desde a revolução industrial do século XVIII, quando começaram a ser usados os combustíveis fosseis de maneira intensiva (carvão e depois petróleo) na geração de energia e no transporte. De todos os experimentos realizados para comprovar a relação entre GEEs e temperatura, o mais interessante foi feito perfurando o gelo antártico e analisando as bolhas de gás retidas nas diversas camadas. Analisando o gelo extraído de uma profundidade de até 1,5 kms, os cientistas conseguiram saber como era a atmosfera nos últimos 400.000 anos. O resultado mostrou nitidamente como houve um acréscimo anômalo de temperatura depois da era industrial. No século XX, a temperatura da Terra subiu 0,6º C. A previsão para este século é dentre 1,6ºC e 7ºC. Parece pouca coisa, mas é o suficiente para nos levar ao colapso. No final de 2006, o governo britânico encomendou uma pesquisa para medir as conseqüências da mudança climática. O chamado relatório Stern concluía que uma subida de mais de 2 ºC provocaria: - O agravamento do problema da fome devido à diminuição da produtividade agrícola na África e nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.
- O derretimento das geleiras, diminuição da disponibilidade de água, colapso da Amazônia (grande parte viraria Cerrado), subida do nível do oceano ameaçando grandes cidades.
- A extinção de entre 20% e 50% das espécies.
- O acréscimo de fenômenos metereológicos extremos (tempestades, secas, furacões, incêndios, etc).
Donde vêm as principais emissões de GEEs que criam estes problemas? 67% são decorrentes da queima de combustíveis fósseis na geração de energia, transporte e atividades industriais. 33% provêm da mudança no uso da terra, principalmente o desmatamento e queima de florestas, agricultura e acumulação de resíduos. Os países mais poluentes são China, Estados Unidos, União Européia, Rússia, Brasil e Índia. O protocolo de Quioto foi o primeiro acordo internacional para diminuir os GEEs. Depois de 10 anos de negociação só entrou em vigência entre 2005 e 2008, obrigando as nações mais ricas a diminuir as emissões em 8% sobre os níveis de 1990. Bush negou-se a assiná-lo alegando que a China e outras nações emergentes, entre elas o Brasil, também tinham que assumir compromissos. O objetivo fundamental da reunião de Copenhague é conseguir que a temperatura neste século não aumente mais do que 2 ºC. Para tal, 5 condições devem ser cumpridas: 1. Que os países desenvolvidos diminuam suas emissões em 50% até 2020 e 80% até 2050. 2. Que as economias emergentes mudem a tendência emissora até 2020 e diminuam suas emissões em 50% em 2050. 3. Que os países ricos transfiram tecnologia (energias renováveis, maquinaria mais eficiente, etc.) para que os países emergentes e mais pobres possam realizar a transição para economias de baixo carbono. 4. Que sejam criados fundos para ajudar os países mais pobres a enfrentar os rigores do clima e compensar a grande injustiça climática existente: os que menos participaram do desenvolvimento sofrerão as piores conseqüências do clima (secas, migrações massivas, conflitos pela água, guerras, etc.) 5. Que se faça um acordo para proteger as florestas tropicais e parar o desmatamento. O Brasil é o quinto país mais poluente do mundo e o maior poluente por culpa do desmatamento e queima de florestas, principalmente da Amazônia e do Cerrado. A destruição destes biomas supõe 60% das emissões brasileiras. Uma de cada duas árvores derrubadas no mundo está no Brasil. 700.000 km2 de floresta amazônica já foram desmatados nos últimos 30 anos e 120.000 km2 de cerrado, nos últimos 7 anos. Isso atinge quase o tamanho do Estado de Mato Grosso. O Brasil dispõe de um Plano Nacional de Mudanças Climáticas aprovado no começo do ano. A realidade é que o governo segue sem assumir a sua parte e pensando mais nas divisas do agronegócio, nos benefícios do Pré-sal, e no acréscimo do consumo, em vez de estabelecer os alicerces de uma economia equitativa e de baixas emissões, solidária hoje e amanhã. A realidade da mudança climática não envolve só os governos e empresas. Todos nós podemos fazer alguma coisa para frear a mudança climática: usar mais a bicicleta, compartilhar o carro, desligar os aparelhos elétricos e luzes desnecessárias, usar lâmpadas de baixo consumo, trocar geladeiras e ar condicionados que usem CFCs, não derrubar e sim plantar árvores e não queimar. Tudo isto exige uma mudança de comportamento o que leva consigo uma mudança de consciência.
Por:
Paulo Gabriel

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