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AOS 30 ANOS DO MARTÍRIO DE SÃO ROMERO DE AMÉRICA
Meu amigo Francesc Escribano, autor do livro sobre Pedro Casaldáliga "Descalço sobre a Terra Vermelha" escreveu esta semana um texto sobre Dom Oscar Romero para um Jornal da Catalunya, na Espanha, e a primeira frase é tão fantástica que não resistí à tentação de usá-la. Diz ele: "Na catedral de São Salvador está enterrado um homem com uma bala no coração". É isso mesmo. No dia 24 de março se completam 30 anos do assassinto de Dom Oscar Romero, arcebispo de São Salvador, no EL Salvaador. Matado pela ditadura militar quando celebrava a missa. Hoje Dom Romero de América é simbolo de compromisso, defesa dos Direitos Humanos, modelo de cristão, fiel ao seguimento de Jesus na opção pelos pobres. Como todos os profetas incomprendido até pela própria Igreja. Na mensagem que Pedro Casaldáliga enviou para ser lida durante as comemorações em El Salvador, diz: "Este Jubileu tem de renovar em todos nós uma esperança lúcida, crítica,mas invencível. São Romero nos ensina e nos cobra que vivamos uma espiritualidade integral, uma santidade tão mística quanto política. Na vida diária e nos processos maiores da justiça e da paz, 'com os pobres da terra', na familia, na rua, no trabalho, no movimento popular e na pastoral encarnada. Ele nos espera na luta diária contra essa onda mostruosa que é o capitalismo neoliberal, contra o mercado onimodo, contra o consumismo desenfreado. A Campanha da Fraternidade deste ano nos recorda a palavra contundente de Jesus: Vocês não podem servir a dois senhores, a Deus e o dinheiro" E termina assim a menagem de Pedro: "fiéis aos sinais dos tempos , com Romero, atualizando o rosto dos pobres e as urgências sociais e pastorais, devemos sublinhar neste Jubileu causas maiores: o ecumenismo e o macroecumensmo, em diálogo religioso; os direitos dos emigrantes contra as leis de segregação; a solidariedade e a intersolidariedade; a grande causa ecológica; a integração da Nossa América; as campanhas pela paz efetiva denunciando o crescente militarismo e a proliferação de armas. Urgindo sempre umas transformações eclesiais, com o protagonismo do laicato que Santo Domingo pediu e a igualdade da mulher nos ministérios eclesiais. O desafio da violência cotidiana, sobretudo na juventude manipulada pelos meios de comunicação alienantes e pela epidemia mundial das drogas". Neste tempo cinza, em que o marasmo impera e há ausência de grandes utopias, figuras humanas com Dom Oscar Romero nos incomodam e nos chamam a viver os valores fundamentais que dão sentido à vida: "ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos irmãos". São Romero de América deu sua vida e por isso continua vivo. Como ele disse poucos dias antes de sua morte: "Se me matam ressuscitarei no povo salvadorenho". Está vivo, ressuscitado!
Por:
Paulo Gabriel

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