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Páscoa, A Festa da Vida
A publicidade, fazendo a cabeça de todos nós, vem reduzindo sempre a negócio o mais sagrado que ela toque. A festa de Natal virou Papai Noel. A festa da Páscoa virou chocolate e coelho. Por certo os ovos de Páscoa e o coelhinho, colocados em seu devido lugar, não estariam demais na festa da Páscoa, Entendida esta festa maior do cristianismo como a festa da vida, tem no ovo o símbolo da vida precisamente, tem no coelho fecundo o símbolo da vida também. A pena é que o grande mistério da Vida Verdadeira se frivoliza e as novas gerações não sabem mais o que é mesmo Páscoa. Haja negócio, tudo a serviço do lucro, "servindo a Deus e ao dinheiro" (o que não é possível, como nos recorda a Campanha da Fraternidade deste ano). Para a fé cristã Páscoa é o mistério da vida vencendo a morte, o Crucificado vitoriosamente Ressuscitado. "Eu sou a Ressurreição e a Vida", proclama Jesus. A antífona antiga canta "a morte e a vida se travaram num duelo, o chefe da vida morto reina vivo". Os anjos do relato evangélico repetem para as mulheres madrugadoras junto ao sepulcro e nos repetem para todos nós " por quê estão buscando entre os mortos Aquele que está vivo?". O apóstolo Paulo afirma categóricamente a Ressurreição de Jesus como causa da nossa própria ressurreição. Vários textos bíblicos nos exortam a vivermos como ressuscitados; ressuscitados em esperança mas também já ressuscitados pela vida nova que a Páscoa de Cristo proporciona ao mundo e que deve ser a vida nossa, nova mesmo, não apenas esperada para o além, mas vivida no dia a dia das nossas lutas e esperanças. Em cada uma das nossas pessoas e nas estruturas da sociedade. Os sinais da morte, as mortes estúpidas, a profanação da vida em todas as suas esferas, na pessoa humana e na natureza, são muitos sinaisd e esses mesmos meios de comunicação que nos frivolizam nos comunicam também a realidade dramática de tanta vida matada, de uma política capitalista neoliberal que está se tornando cada vez mais homicida, ecocida, suicida. Se damos valor à vida, se acreditamos na presença do Deus da Vida em todos seus filhos e filhas, nós temos a obrigação e a possibilidade de colaborar na realização da Páscoa continuadamente. Com um coração pascal podemos e devemos agir na família, na sociedade, na igreja, no mundo. Sendo testemunhas da Ressurreição como aquelas mulheres da primeira manhã de Páscoa. Sendo testemunhas doando nossa vida como as testemunhas mártires cujas memórias celebramos. Neste ano concretamente celebramos o 30 aniversário do martírio do bispo salvadorenho Dom Oscar Romero e o 25 aniversário do martírio do nosso padre Josimo, vítima pela defesa da Reforma Agrária para o povo Sem Terra. O nosso modo de ser, nosso pensamento, nossas relações deveriam comunicar sempre um clima de Páscoa, um perfume de vida nova, a misteriosa primavera do Espírito do Ressuscitado brotando em nós. Somos, devemos ser, o povo da Páscoa, seguindo o Ressuscitado Jesus, acolhendo e anunciando o Amor desse Deus que Ele nos revelou como "o Deus Amigo da Vida".
Por:
Paulo Gabriel

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