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O DESERTO NO JUDICIÁRIO DE MATO GROSSO
O judiciário de Mato Grosso parece um deserto seco, sem vida. No deserto não há água, nem rios. Como não há água, não pode haver vida. É seco demais para que a vida se desenvolva. A imagem do oásis no deserto lembra a realidade do paraíso. Ele se forma ao redor da fonte. Ali, a água faz nascer a abundância e a dignidade. Mas ela é pouca. Não consegue se impor à areia e à sequidão do deserto. Não forma rios. Esta figura do deserto e do oásis é assunto no cotidiano do ser humano. Em 2001, um meteorologista do Amazonas disse: “Faz muitos anos que não chove mais tão bem como no atual período. A época da chuva está sendo longa e abundante. Os rios estão cheios. Correm para todos os lados. Os peixes têm abrigos, alimentos e se multiplicam. Com toda esta água, a possibilidade do surgimento do deserto fica mais distante.” O deserto impõe medo. Nele não há vida. A figura do oásis é muito limitada. Não têm espaço de vida para todas as pessoas em seu entorno. Melhor é distribuir a água. Água é vida. Rios distribuem esta vida, possibilitando crescimento e procriação dos seres aquáticos. Água que corre, e rio que não seca são figuras bíblicas. Mencionando água e rios, Deus nos leva a compreender sua vontade em relação ao direito e a justiça. Ele põe a água nas nossas mãos e os rios nos nossos olhos, associando-os à sua vontade, ao dizer: “Corra como água o direito! A justiça, como ribeiro perene!”(Am 5.24) Direito humano é um conjunto de leis, escritas ou não, que regem a vida individual e social. O Salmo 33 diz que o Senhor ama o direito. A Declaração Universal dos Direitos Humanos insiste que todo os povos têm direito à vida e à sua defesa, garantia e promoção. Justiça é o respeito ao direito da outra pessoa. Justiça dá a cada um o que lhe pertence. Ela pode premiar ou punir, conforme critérios anteriormente estabelecidos. Paulo, em Rm 1.17, escreve: “O justo viverá por fé”. O texto de Ap 22.14 diz que é feliz quem é perdoado, pois, terá o direito à árvore da vida e de entrar na cidade pelas portas. Justiça é um dos assuntos mais tratados na Bíblia. A palavra aparece centenas de vezes. Ela se refere tanto ao relacionamento entre Deus e o ser humano, quanto ao do ser humano entre si. Deus ama a justiça. Ele a distribui como água corrente e a faz fluir como um rio permanente. O Senhor é Deus de justiça (Is 30.18). Ele faz justiça aos aflitos, necessitados e sobrecarregados. O efeito da justiça do Senhor é a paz (Is 32.17). Jesus critica a prática de justiça dos escribas e fariseus (Mt 5.20), pois eles têm uma justiça vingativa. Por ser vingativa, ela não é justiça. Falta-lhes amor na prática da justiça. A sociedade farisaica promove oásis de privilégios, enquanto perpetua desertos sociais. Jesus diz: “felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”(Mt 5.6). Um dos grandes problemas no Brasil é a falta de justiça. Por isso, há impunidade, vingança, acumulação de privilégios, medo e ódio. A justiça funciona para quem tem influência, dinheiro ou domínio das leis e instituições. Esta realidade é como um oásis no deserto. Sem justiça, o deserto domina o povo. A violência, a fome, a falta de trabalho, de saúde, de segurança e de educação, a miséria, a carência de pão são resultados da ausência de justiça. O poder judiciário tem sua parcela de culpa na criação deste deserto. E o judiciário do Mato Grosso se encontra, atualmente, sob impacto do julgamento da palavra do Senhor. Se ganhar dinheiro, favorecer amigos e vender sentenças foi praticado por alguns, como noticia a imprensa, então vemos, agora, a mão do Senhor abrir caminhos de esperança, com as investigações que estão ocorrendo. E que Deus abençoe aquelas pessoas honestas que lutam por justiça e direito, no judiciário e em outras partes. O nosso louvor a Deus deve ser traduzido na prática e promoção do direito e da justiça, por amor, na sociedade. Como diz Ap 22.9b e 11b: “Adora a Deus... e continua na prática da justiça”. Jesus diz, conforme João 7.38: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Com Jesus e seu povo, águas de direito e justiça fluirão entre o povo de Mato Grosso, como nos rios na Amazônia. Pastor Teobaldo Witter, graduado em Teologia e Pedagogia. Especialista em Psicologia da Educação e Mestre em Teologia. Pastor na IECLB, Ouvidor do DETRAN MT e Professor Universitário. Reside em Cuiabá, MT
Por:
Pastor Teobaldo Witter

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